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    "Para estudar arquitetura, Juraci Dórea (1944, Feira de Santana, BA) mudou-se na década de 1960 de Feira de Santana para Salvador, onde testemunhou a intensa produção cultural resultante do encontro entre a atitude experimental vanguardista e a vivência singular de um território de matriz afro-brasileira. Formado, Dórea retornou a sua cidade natal, também conhecida como Portal do Sertão. A partir daí, construiu uma obra coesa, que gradualmente fez convergir linguagens visuais contemporâneas com raízes e tradições sertanejas. Na década de 1980, a vinculação telúrica de Dórea ganhou outra ordem de grandeza. Após iniciar seu Projeto Terra (1982 - ), ele não apenas assimilaria saberes artesanais sertanejos, mas viajaria ao interior do sertão baiano para implantar suas obras naquela paisagem, muitas vezes valendo-se dos próprios materiais encontrados nos campos e pastos. Com isso, o público prioritário de sua obra deixava de ser o visitante urbano das instituições culturais e passava a ser composto pelas populações sertanejas. Os registros em fotografias, filmes, relatos e textos produzidos nesse contexto documentam não só a trajetória criativa de Dórea, como também inúmeros choques e rearranjos entre concepções de arte, linguagem e território."  –  texto: Fundação Bienal, São Paulo (2021)

     

    Juraci Dórea participou de importantes exposições institucionais, como Artistas Contemporâneos da Bahia (MAC São Paulo, 1983), 19ª Bienal Internacional de São Paulo (1987), 43ª Bienal de Veneza (Itália, 1989), 3ª Bienal de Havana (Cuba, 1989), Projeto Terra (Université Paris 8, França, 1999), 3ª Bienal da Bahia (Salvador, 2014), 10ª Bienal do Mercosul (Porto Alegre, 2015), Memories of Underdevelopment (Museu de Arte Contemporânea de San Diego, EUA, 2017) e À Nordeste (SESC 24 de Maio, São Paulo, 2019).  Seus trabalhos integram os acervos do Museu de Arte Moderna da Bahia (Salvador/BA), Museu de Arte Contemporânea de Feira de Santana (BA), Museu de Arte Contemporânea do Paraná (MAC-PR), entre outros. 

     

    Em 2021 Juraci Dórea terá uma exposição individual dentro  da 34ª Bienal Internacional de São Paulo - Clique aqui para saber mais  |  Clique aqui para acessar o CV completo do artista.

     

     

  • Estandartes do Jacuipe XII (1978) Estandartes do Jacuipe XII (1978)

     

     

    Inciada em 1975, esta série apresenta composições simétricas e ritmadas feitas com couro de boi tratado e costurado com os mesmos processos comuns na produção de selas e vestimentas de vaqueiros do sertão da Bahia.

     

    "O  trabalho de Dórea vai além da província cultural para se propor como arte sertaneja e rural. A ênfase não é posta na subjetividade do autor, mas na objetividade de seu relacionamento com as populações locais. Não são os fantasmas interiores que ele pretende exorcizar, mas os vícios de uma arte que mesmo sendo tematicamente regional se destina a uma elite cultural urbana. Regional sua arte é, não apenas nos temas e modelos adotados, mas, também nos materiais que ele emprega - couro, madeira. "

     

    Frederico Morais (em A arte popular e sertaneja de Juraci Dórea: uma utopia? - Edições Cordel, 1987) 

     

     

  • "A suprema originalidade de Juraci Dórea não reside apenas nos temas e materialidade empregados. Na arte brasileira temos outros artistas minerando os mesmos veios temáticos [...] O problema é que esta produção tematicamente regional vai desaguar, sempre, no circuito de arte tradicional, isto é, as obras são expostas em galerias e museus. A proposta de Dórea é outra, ele quer reverter este processo, 'fazer uma arte sem referências urbanas e mostrá-la no próprio ambiente que a inspirou, o sertão'. Ou seja, ele pretende colocar-se a contra-caminho da história da arte. Ao expor seus quadros em feiras livres, alpendres abrigando-os em varais à sombra de frondosos umbuzeiros, ou pintando seus murais em velhos muros de adobe em algum rincão perdido no sertão, Juraci Dórea está realizando, à sua maneira, arte pública, levando à prática um velho sonho dos museólogos: museu ao ar livre"  –  Frederico Morais, 1987.

  • Terra (1982)

    O vídeo documenta o processo de concepção do Projeto Terra, desenvolvido por Juraci Dórea a partir de 1982.

     

    "Com suas esculturas de couro cru e madeira, que ele situa em encruzilhadas, descampados, reservas ecológicas e que funcionam como espécies de totens ou marcos solitários de grande impacto visual, Dórea aproxima-se também de propostas atualíssimas. Não seria totalmente absurdo falar-se de uma arte conceitual ou processual sertaneja, e também de uma arte ecológica (earth ou land-art) e de arte “povera” na medida em que ele emprega materiais “pobres”, que ele busca uma “identificação cultural e paisagística com a região” ou que, localizadas em espaços abertos e desprotegidos, suas “estruturas” sofrem interferências semânticas do tempo e do público"  –  Frederico Morais, 1987.

     

    • Juraci Dórea Triângulo com chocalhos, 1980 138 x 130 x 8 cm unique
      Juraci Dórea
      Triângulo com chocalhos, 1980
      138 x 130 x 8 cm
      unique
  • Exposição pública na localidade de Saco Fundo, Monte Santo, Bahia. 1985

    Exposição pública na localidade de Saco Fundo, Monte Santo, Bahia. 1985

  • Histórias do sertão III (1983) Histórias do sertão III (1983)

     

     

    "O uso do carvão estava em sintonia com as pesquisas que, na época, eu desenvolvia com materiais rústicos e pobres. Além disso, traduzia muito bem a figuração que surgiu nas obras dessa fase, inspirada nas ilustrações dos folhetos de cordel e em temas populares. Uma moldura colorida, com geometria simples, que lembrava as luzes dos parques de diversões das festas de largo do interior, completava a proposta"  –  Juraci Dórea, 2021.

     

     

     

     

    • Juraci Dórea Histórias do sertão XV, 1984 140 x 100 cm unique
      Juraci Dórea
      Histórias do sertão XV, 1984
      140 x 100 cm
      unique
    • Juraci Dórea Histórias do sertão LXXVI, 1987 140 x 100 cm unique
      Juraci Dórea
      Histórias do sertão LXXVI, 1987
      140 x 100 cm
      unique
    • Juraci Dórea Histórias do sertão XXXIX, 1985 100 x 100 cm unique
      Juraci Dórea
      Histórias do sertão XXXIX, 1985
      100 x 100 cm
      unique
    • Juraci Dórea Histórias do sertão LXX, 1986 100 x 100 cm unique
      Juraci Dórea
      Histórias do sertão LXX, 1986
      100 x 100 cm
      unique
  • ECCE HOMO VIII (1990) ECCE HOMO VIII (1990)

     

     

     

     

    A série ECCE HOMO foi iniciada em 1989 com três trabalhos que participaram do Salão de Arte Contemporânea de Pernambuco daquele ano. O significado do título, "Eis o Homem", reverbera o desejo de Juraci Dórea de representar a violência e polarização política que afetam profundamente o Brasil e o desenvolvimento do Norte do país, fenômeno que já o preocupava desde os anos 60. Parte desta série foi também apresentada em exposição dentro do Arquivo Público do Estado da Bahia, no contexto da  3ª Bienal da Bahia, 2014.

     

     

     

     

    • Juraci Dórea ECCE HOMO IV, 1990 60 x 60 cm unique
      Juraci Dórea
      ECCE HOMO IV, 1990
      60 x 60 cm
      unique
    • Juraci Dórea ECCE HOMO V, 1990 60 x 60 cm unique
      Juraci Dórea
      ECCE HOMO V, 1990
      60 x 60 cm
      unique
    • Juraci Dórea Diálogo com Ivens Klein I, 2014 250 x 110 cm unique
      Juraci Dórea
      Diálogo com Ivens Klein I, 2014
      250 x 110 cm
      unique
    • Juraci Dórea Música de Câmara, 2017 80 x 11 x 4 cm unique
      Juraci Dórea
      Música de Câmara, 2017
      80 x 11 x 4 cm
      unique
    • Juraci Dórea Memória, 2017 53 x 8 x 3 cm unique
      Juraci Dórea
      Memória, 2017
      53 x 8 x 3 cm
      unique
  • Concerto para raposas e violoncelo (2006) Concerto para raposas e violoncelo (2006)

     

     

    “Artista pioneiro da land-art na Bahia, em Concerto para raposas e violoncelo Dórea retoma a discussão dos suportes efêmeros e explora novas possibilidades plásticas oferecidas por materiais comuns do meio em que vive. A obra, formada por três esculturas em madeira, aço inox e esterco de boi, remete aos antigos caminhos de gado que cortavam a região, ligando o litoral e o sertão, e às extensas pastagens, ambos marcados pelos cascos e pelos excrementos dos animais."  –  Alejandra Hernández Muñoz, em texto produzido para a exposição Pontos Cardeais. Museu de Arte Contemporânea de Feira de Santana, Bahia, 2011.

     

    Trabalho também apresentado na  3ª Bienal da Bahia (2014) e na 10ª Bienal do Mercosul (Porto Alegre, 2015).

     

     

     

    • Juraci Dórea Ecce Homo X, 1994 160 x 220 cm unique
      Juraci Dórea
      Ecce Homo X, 1994
      160 x 220 cm
      unique
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