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    The invention of meanings in Adriano Amaral and Victor Gerhard  –  by Kiki Mazzucchelli

     

     In an episode of the show Voices, aired in 1983 on Britain’s Channel 4, John Berger and Susan Sontag, sitting opposite each other at a small table, spend the best part of an hour discussing the nature of literary narrative. As the conversation unfolds, it becomes clearer and clearer that they are on opposite sides in more ways than one: despite the mutual respect shown throughout the conversation, the authors have completely different views on the role of storytelling. We will not go into detail here; suffice it to say that perhaps, for Berger, narrative is the result of language as something that comes ‘out of the people,’ whereas for Sontag the narrator is an inventor who creates the material ‘out of which people come.’ In other words, for the former, meaning originates from something extraneous to the act of literary creation, while the latter sees literature as a creator of meanings for life.

     

    The reason I mention this instigating discussion is because I have a strong feeling that, were this a discussion about art, both Adriano Amaral and Victor Gerhard would concur with Sontag. Even though they are from different generations, having been born almost five decades apart, and although their careers are utterly distinct from one another, Amaral and Gerhard appear to share an approach to artmaking that revolves around some sort of alchemy of materials, and is based on experimental processes whose outcomes are never known beforehand. That is, theirs are not works built upon preconceived plans, neither are they necessarily configured upon an external reality. Their outputs evoke a deep sense of ambiguity, or even radical oddness, to the extent that they refuse to offer static, easily deciphered meanings. Both Amaral and Gerhard are artists who have managed to come up with highly unique vocabularies of their own; they have created private worlds that operate under an inner logic.

     


     

     A invenção de sentidos em Adriano Amaral e Victor Gerhard  –  por Kiki Mazzucchelli

     

    Em um episódio do programa Voices, transmitido em 1983 pelo canal britânico Channel 4, John Berger e Susan Sontag, sentados em lados opostos de uma pequena mesa debatem por quase uma hora sobre a natureza da narrativa literária. Na medida em que a conversa se desenrola, fica cada vez mais claro que essa oposição não diz respeito somente ao posicionamento dos corpos dos debatedores no quadro da câmera; pelo contrário: apesar do respeito mútuo que transparece durante todo o diálogo, os autores entendem o papel da narrativa a partir de pontos de vista opostos. Não cabe aqui entrar em muitos detalhes, mas talvez seja suficiente dizer que, para Berger, a narrativa é resultado da linguagem como algo que ‘vem das pessoas’, enquanto para Sontag o narrador é um inventor que cria o material ‘de onde as pessoas vêm’. Em outras palavras, para o primeiro o sentido advém de algo exterior ao ato da criação literária, enquanto no segundo caso a literatura é entendida como criadora de sentidos para a vida.

     

    A razão pela qual menciono essa instigante discussão é porque tenho a forte impressão de que, caso se tratasse de um debate sobre arte, tanto Adriano Amaral quanto Victor Gerhard estariam alinhados à Sontag. Embora pertençam a gerações distintas, tendo nascido com quase cinco décadas de diferença e com trajetórias completamente diversas, Amaral e Gerhard parecem compartilhar uma abordagem do fazer artístico centrada em uma espécie de alquimia dos materiais e baseada em processos experimentais cujo resultado nunca é dado de antemão. Ou seja, não são trabalhos elaborados a partir de projetos pré-concebidos ou que se configuram necessariamente a partir de uma realidade externa. Em ambos os casos, as obras evocam uma profunda sensação de ambiguidade ou até mesmo de estranhamento radical, na medida em que se recusam a oferecer sentidos estáticos e facilmente decifráveis. Tanto Amaral quanto Gerhard são artistas que conseguiram construir vocabulários muito próprios e singulares; criando mundos particulares que se articulam segundo uma lógica interna.

     

    • Adriano Amaral Untitled, 2020 52 x 52 x 38 cm unique
      Adriano Amaral
      Untitled, 2020
      52 x 52 x 38 cm
      unique
      €6,000.00
    • Victor Gerhard Da série “Ocupação”, 1979/1980 51 x 43 cm unique
      Victor Gerhard
      Da série “Ocupação”, 1979/1980
      51 x 43 cm
      unique
      €4,000.00
    • Victor Gerhard Da série “Ocupação”, 1979 42.2 x 34 cm unique
      Victor Gerhard
      Da série “Ocupação”, 1979
      42.2 x 34 cm
      unique
      US$4,000.00
  • Gerhard’s interest in mass society is extended to this series, where home interiors are recreated from decorating magazine cutouts. Images that indicate, through a formal exercise, the degree of artificialism that the house, in its bourgeois arrangement, assumes. As critic and curator Frederico Morais pointed out in a 1975 text about the Occupation Series, “Gerhard only brings out the virtualities that underlie semi-hidden under the photos. Color works at the same time as comment and interference".

     

    O interesse de Gerhard pela sociedade de massa se estende a esta série, onde interiores domésticos são recriados a partir de recortes de revistas de decoração. Imagens que indicam, por meio de um exercício formal, o grau de artificialismo que a casa, em seu arranjo burguês, assume. Conforme o crítico e curador Frederico Morais apontou em texto de 1975 a propósito da Série Ocupação, “Gerhard apenas concretiza as virtualidades que subjazem semi-ocultas no sub-solo da foto. A cor funciona ao mesmo tempo como comentário e interferência”.

     

    • Victor Gerhard Da série “Ocupação”, 1979 51 x 43 cm unique
      Victor Gerhard
      Da série “Ocupação”, 1979
      51 x 43 cm
      unique
      €4,000.00
    • Victor Gerhard 7904, da série “Ocupação”, 1979/1980 51 x 43 cm unique
      Victor Gerhard
      7904, da série “Ocupação”, 1979/1980
      51 x 43 cm
      unique
      €4,000.00
  • Adriano Amaral, Untitled, 2018

    Adriano Amaral

    Untitled, 2018

     

    Adriano Amaral’s (Ribeirão Preto, 1982, Brazil) work encompasses an examination of the nature of things – the stuff of the world; its substance, value, materiality and mutability. Blurring the boundaries between object and space; composition and dispersion; painting and sculpture, Amaral creates site-specific installations, responding to the spatial and architectural elements of the exhibition space  –  Click here to see the artist full CV.

     

    O trabalho de Adriano Amaral (Ribeirão Preto, 1982, Brazil) envolve um exame da natureza dos objetos  - as coisas do mundo; sua substância, valor, materialidade e mutabilidade. Embaçando os limites entre objeto e espaço; composição e dispersão; pintura e escultura, Amaral cria instalações site-specific que respondem aos elementos espaciais e arquitetônicos do espaço expositivo  –  Clique aqui para ver o CV completo do artista.

     

     

    € 7.000,00

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    The feature that first jumps out in Adriano Amaral’s sculptures is an unusual materiality that combines organic and synthetic elements. There is something surprising and enigmatic about these objects that almost seem like totems from some unknown clan. These are extremely intricate constructs built with found objects that are often the subject of intense experimentation in the studio. It is in the studio space, in the daily struggle with a variety of materials from wide-ranging sources, where Adriano Amaral’s work takes shape. The studio is his lab; it’s where he manipulates pigments, cast metal, plant fragments, liquid silicone and much more, relentlessly testing out interaction possibilities between materials, and pushing the boundaries of transformation of matter. Throughout this intensive experimentation process, the artist intently observes the achieved results, and intuits connections between the parts as they gradually coalesce into a whole. In the sculpture above (Untitled, 2018), an iridescent bluish-white vertical strip hangs from an oval volume attached to the wall by an aluminum arm. Built from prosthetic rubber, the strip functions as a sort of translucent skin through which we can see the hexagonal patterns created by the openings on a rugby helmet, and the surface of a piece of tree bark, all amalgamated into one object that incorporates different textures and materialities. The combination of a piece of sporting equipment worn as a head attachment and the use of a material that simulates the touch of skin evokes human presence, even though this body seems made from equally from organic and synthetic parts.

     

     

    O que chama a atenção nas esculturas de Adriano Amaral, num primeiro momento, é a materialidade inusitada que combina elementos orgânicos e sintéticos. Há algo de surpreendente e enigmático nesses objetos que se configuram quase como totens de algum clã desconhecido. São construções extremamente intrincadas, constituídas por objetos encontrados e outros produzidos através de intensos processos de experimentação no ateliê. É ali, no embate diário com uma variedade de materiais de procedências das mais diversas, que o trabalho de Adriano Amaral toma forma. O ateliê é seu laboratório; é o espaço onde manipula pigmentos, metais fundidos, fragmentos de plantas, silicone líquido, entre muitos outros, testando incansavelmente as possibilidades de interação entre os materiais e os limites da transformação da matéria. Nesse processo de experimentação intensiva, o artista observa atentamente os resultados obtidos e encontra correspondências intuitivas entre as diferentes partes que, aos poucos, vão se coagulando em um todo. Na escultura acima (Untitled, 2018), uma faixa vertical de um branco-azulado iridescente pende de um volume oval fixado na parede por um braço de alumínio. Executada em borracha protética, essa faixa funciona como uma espécie de pele translúcida através da qual enxergamos os padrões hexagonais formados pelas aberturas de um capacete de rugby e a superfície de uma casca de árvore, todos amalgamados em um único objeto que incorpora diferentes texturas e materialidades. A combinação entre um equipamento esportivo que se acopla à cabeça e o revestimento com um material que simula o toque da pele evoca uma presença humana, embora esse corpo pareça ser igualmente constituído de matéria orgânica e sintética.

     

    • Adriano Amaral Untitled, 2018 64 x 40 x 20 cm unique
      Adriano Amaral
      Untitled, 2018
      64 x 40 x 20 cm
      unique
      €5,000.00
    • Adriano Amaral Untitled, 2020 200 x 66 x 40 cm unique
      Adriano Amaral
      Untitled, 2020
      200 x 66 x 40 cm
      unique
      €12,000.00
  • VICTOR GERHARD, F 15, 'Neon com ovos' series (1980)

    VICTOR GERHARD

    F 15, 'Neon com ovos' series (1980)

    Painter, designer, engraver and teacher, Victor Gerhard (Santa Cruz do Sul, Brazil, 1936) has developed since the 1960s a multimedia research that ranged from large installations to collages and films. Gerhard came to art through the british pop-art road. His collages acted as a sort of newspaper / mosaic of everyday events where everything was superimposed-the social, the texts, the publicity, the detritus of the urban reality of that era. Such a procedure has subsequently expanded to his 8mm films and installations  –  Click here to see the artist full CV.

     

    Pintor, desenhista, gravador e professor, Victor Gerhard (Santa Cruz do Sul, Brasil, 1936) desenvolveu desde os anos 60 uma pesquisa multimídia que abrangia desde grandes instalações à colagens e filmes. Gerhard chegou à arte pelo caminho da Pop-Art inglesa. Suas colagens atuavam como uma espécie de jornal/mosaico dos acontecimentos do dia-a-dia onde tudo era sobreposto - o social, textos, publicidade, detritos da realidade urbana daquela época. Tal procedimento se expandiu posteriormente para seus filmes 8mm e instalações – Clique aqui para ver o CV completo do artista.

     

     € 4.000,00

    • Victor Gerhard H 32, da série “Neon com ovos”, 1980 30 x 40 cm unique
      Victor Gerhard
      H 32, da série “Neon com ovos”, 1980
      30 x 40 cm
      unique
      €4,000.00
    • Victor Gerhard K 7, da série “Neon com ovos”, 1980 30 x 40 cm unique
      Victor Gerhard
      K 7, da série “Neon com ovos”, 1980
      30 x 40 cm
      unique
      €4,000.00
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    Victor Gerhard’s Super 8 work betrays a similar concern with the materiality of film and the nature of image, as well as with the experimental exploration of its constituent parts. Far from being attempts at producing a linear narrative, these pieces feature enigmatic sequences where the artist manipulates light, color, texture, movement and sound to create atmospheric, suggestive films. O ovo (The Egg, 1980) is a stop motion animation video whose titular egg is the symbolical main character in a kind of hypnotic thriller. Here, Gerhard concocts a kaleidoscopic, fragmented narrative, relying on various objects to create scenes that are often quasi-surrealist, in that they present familiar things in bizarre situations. The egg, a primordial structure, is explored in its symbolic as well as its formal aspects: ideas about reproduction and creation seem as relevant as the commonalities or contrasts found with other objects (boxes, billiard balls) or materials (stone eggs, red paint). Throughout the film, the egg is featured in absurd or comical situations, such as when it returns to the cloaca or gets lit up from different angles to emulate lunar phases. Just like Amaral, Gerhard seems to seek out possible meanings for his work through confrontation and experimentation with the materials he employs – in this case, Super 8 film as raw material – and by building a proprietary vocabulary that never allows itself to be fully deciphered.

     

    Nos filmes de Super-8 de Victor Gerhard, é possível identificar uma preocupação semelhante com a materialidade do filme e a natureza da imagem, bem como a exploração experimental de suas partes constituintes. Longe de serem tentativas de construir narrativas lineares, esses trabalhos apresentam sequências enigmáticas em que o artista manipula a luz, a cor, a textura, o movimento e o som para criar filmes que são atmosféricos e sugestivos. O ovo (1980) é uma animação em stop-motion que tem esse objeto simbólico como protagonista de uma espécie de thriller hipnótico. Aqui Gerhard elabora uma narrativa caleidoscópica e fragmentada utilizando objetos variados para criar cenas que muitas vezes adquirem um caráter quase surrealista, na medida em que apresentam aquilo que é familiar em situações bizarras. O ovo, estrutura primordial, é explorado tanto em seus aspectos simbólicos quanto formais: ideias acerca da reprodução e da criação parecem ser tão relevantes quanto às correspondências ou contrastes encontrados em outros objetos (caixas, bolas de sinuca) ou materiais (ovos de pedra, tinta vermelha). Ao longo do filme, o ovo é apresentado em situações absurdas ou cômicas, como quando retorna à cloaca ou é iluminado de diferentes ângulos de modo a emular as fases da lua. Assim como Amaral, Gerhard parece buscar os possíveis sentidos de sua obra no embate e na experimentação com seus materiais - nesse caso o filme Super-8 como matéria - e na construção de um vocabulário próprio que nunca se deixa decifrar completamente.

  • Victor Gerhard

    O ovo, 1980 video super 8mm
    6' 18''
    1/10
    • Adriano Amaral Untitled, 2020 34 x 96 x 2 cm unique
      Adriano Amaral
      Untitled, 2020
      34 x 96 x 2 cm
      unique
      €7,000.00
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